‘It Follows’ – Terror também é arte! [Crítica]

Os anos 80 e 90 fizeram com que a maioria dos filmes de terror ficassem presos a estética slasher e a maneirismos como jump scares e sons altíssimos para causar sustos. Não desmereço esses filmes, muitos são excelentes e consagrados até hoje, mas esse modelo já não emplaca mais como antes, hoje os filmes de terror puxam mais para o lado psicológico, para um terror menos gráfico e mais sutil. Se isso é bom ou ruim, não é o ponto desse texto. O que pode-se afirmar é que são modelos diferentes de produções e que atingem públicos diferentes.

Em meio a esse nova onde de filmes de terror podemos situar “It Follows” (A Corrente do Mal), um filme independente de terror dirigido e roteirizado por David Robert Mitchell. A premissa do longa é simples: existe uma criatura que persegue certo indivíduo até que o mesmo morra ou passe a maldição a diante. Tipo corrente de WhatsApp, mas do mal. (Viram o que eu fiz aqui?). Até esse ponto a trama é clichê, mas o toque de originalidade do filme fica por conta de como a maldição é passada para a frente: através de sexo.

A trama do filme começa a se desenrolar após a protagonista do filme, Jay (Maika Monroe), transar com Hugh (Jake Weary), um cara novo na cidade. E é então que as coisas complicam, quando Jay é amarrada a uma cadeira de rodas por Hugh, que explica como a corrente funciona. A cena é opressiva e apresenta um conceito aterrador: uma criatura imparável que vai te perseguir até a sua morte. Parece bem com uma premissa de slasher movie, mas o filme segue por um caminho mais psicológico, sem explorar o uso exacerbado de violência. O diretor pega uma proposta antiga e a atualiza para o mercado jovem atual. O longa também se preocupa em não ser vazio, fazendo paralelos com a perda da virgindade, propagação de doenças sexualmente transmissíveis e a vergonha que alguns atos podem trazer.

A fotografia do filme é belíssima tanto na paleta de cores quanto nos enquadramentos e movimentações de câmera. A ambientação suburbana decaída é perfeita. A trilha sonora feita por sintetizadores é ótima para o clima que o filme propõe, sendo aterradora e estilosa ao mesmo tempo. Esses três elementos (fotografia, trilha sonora e ambientação) funcionam perfeitamente juntos, fazendo com que o filme seja uma obra prima de pequenas proporções. O tom minimalista é charmoso e amedrontador.

Outro ponto interessante do filme é que em momento algum é tentado explicar a origem da criatura, deixando que todo esse trabalho seja feito pelo espectador, que cria suas próprias maluquices. Em filmes onde as origens de certo monstro são reveladas, parece que tudo perde um pouco da graça.

“It Follows” não é um filme que vai te fazer urinar nas calças de medo, mas é uma obra que mostra que o gênero do terror pode ser feito de forma mais intelectual e artística, não sendo apenas uma classe “menor” de filmes, como muitos pensam.

Nota: 7/10

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